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Apetrechos auxiliares

A tralha de pesca inclui alguns apetrechos auxiliares que facilitam a vida do pescadorde beira-mar, fornecendo-lhe o indispensável "apoio logístico": uma mesinhaou banquetade praia, um fincador (suporte de vara), um bicheiro, uma ou duas geladeiras de isopor e um estojo de material.

Como não convém deixar nada na areia, uma mesinha (dobrável, desmontável ou de outro tipo, pequena, de fácil transporte) é muito útil, para que nela se possa cortar iscas, como sardinha, além de deixar a geladeira de iscas, o estojo de material, etc. A utilidade da mesinha torna-se mais apreciável numa praia rasa e larga, onde, para que fique a salvo das ondas, os apetrechos auxiliares teriam de ser deixados muito longe da linha dágua. Também, se fossem deixados perto, principalmente com maré subindo, seria desastre na certa. Já nas praias de tombo as ondas de espraiamentonão avançam muito sobre a faixa de areia, e por isso o material pode ficar perto, embora nem por isso a mesinha deixe de ser útil, evitando que a tralha fique cheia de areia.

Existem pescadores que dispensam a mesinha, preferindo usar pequenas pranchetas fixadas no alto de um fincador de PVC e barra de alumínio, enquanto outros carregam tudo num carrinho de feira do tipo dobrável e o deixam em pé junto à linha dágua. As ondas de espraiamento passam por baixo do carrinho, sem causar problemas. Qualquer que seja o recurso utilizado, o importante é que o material de apoio não fique no chão, sujeito a levar uma varrida de água salgada e areia, mesmo não deixado tão próximo quanto desejável.

Outra peça utilíssima é o fincador, seja para nele deixar a vara de reserva, seja como suporte de vara na pesca de espera. Os modelos destinados a serem plantados dentro da água, nas praias rasas, são compridos, com cerca de 1,20 m. a fim de que a vara e o molinete fiquem acima das ondas. Não se deve, porém, exagerar no comprimento, senão o transporte da peça poderá constituir um problema por não caber dentro do carro.

Esses fincadores podem ser feitos de barras de ferro ou alumínio em "T", com espessura suficiente para não entortarem ao serem espetados. O melhor é o do tipo híbrido, com umametade (a parte do pé) de alumínio"T", terminada em ponta para ser espetada na areia, enquanto a outra ponta está embutida num tubo de PVC, que é a parte de cima (aoutra metade). No alto do tubo é rosqueada uma pequena prancha, também de PVC, para servir de mesinha. Esse tubo pode ter "braços" ou cabides para neles serem deixadas varas de reservaou pendurada uma geladeirinha de iscas. Tudo muito leve e prático, além de imune à corrosão marinha. Apenas deve ser bem plantado para que não tombe com o vaivém do espraiamento, que amolece a areia.

Para serem fincados fora da água, só como suportes de vara, bastam fincadores simples e curtos, de 60 cm ou 70 cm feitos de tubos de PVC, com uma ponta chanfrada e um pino atravessando ao meio para apoiar o pé da vara.

Talvez não seja demais recomendar que não abandone uma vara no fincador, senão poderá dar zebra quando você menos espera: um peixe grande bater subitamente, arrancar a vara do descanso e carregar tudo para o fundo do mar. Outra coisa: ao colocar um material (principalmente pesado) na espera, é bom deixar o freio do molinete folgado, com o que se pode prevenir trancos violentos no molinete e no conjunto do material

O tipo do utensílio que não pode ser esquecido por quem vai atráz de exemplares de grande porte é o bicheiro, o gancho empregado para colocar o peixe no seco. Notadamente numa praia de tombo, onde quase não há espraiamento, as ondas explodem violentamente junto à margem e não se pode entrar na àgua, sem o bicheiro será extremamente difícil tirar peixe grande. Por issomesmo, bicheiro para praia de tombo deve ter cabo longo, que permita enganchar o peixe meio de longe, sem que o bicheirador precise arriscar-se a ir de embrulho no turbilhão de espumas. O risco aumenta na lida com cações, quando se torna perigoso aproximar-se muito do peixe para o embicheiramento.

Outro problema é que não basta você ter um bicheiro. É preciso ter um bicheirador entre seus companheiros. Quando o negócio é tirar peixe grande da água, a atuação do bicheirador torna-se mais importante que a do pescador. Se no seu grupo não existir ninguém em condições de usar o bicheiro, ou se você estiver sozinho, terá de se virar como puder, tentando, com calma administrar a encrenca, para cansar o peixe-- se você não cansar primeiro--, até que, com ajuda de uma onda, possa encalhá-lo no raso, próximo à linha dágua. Isso se o material aguentar. Seja como for, só se deve bicheirar o peixe no raso, já cansado e visível, embora não seja fácil enxergar direitoo peixe em meio a espumas revoltas, problema que se agrava à noite. Um golpe precipitado poderá pôr tudo a perder. O que acontece às vezes, mesmo com pescadores veteranos, é o homem do bicheiro, marcando apenas o peixe que avista ao relance, errar o golpe e bicheirar a linha, rompendo-a.

Quando se trata de sacar um cação ou uma arraia, torna-se muito arriscado tentar bicheirar em água funda, ante o risco de levar sérias mordidas ou espetadas. Daí, é bom que o bicheiro seja forte e bastante comprido, com um cabo de pelo menos 2 metros. Esse detalhe é particulamente importante numa praia de tombo. mesmo no raso, com o cação já próximo à faixa de espraiamentodas ondas, o perigo persiste, ainda mais se o bicho for de tamanho respeitável. Se o bicheirador, inadvertidamente, se colocar na linha da briga (entre o peixe e o pescador que o segura pela linha), uma onda poderá jogar a fera de encontro a suas pernas. Este risco aumenta nas praias de tombo, nas quais as ondas se quebram com força antes de se espraiarem. É de recomendar, pois, que o bicheirador não fique alinhado com o pescador e sua linha e, no momento oportuno, se aproxime rápido para o embicheiramento. Cuidado também na hora de sacar o anzol da boca de um cação: nada de fazê-lo com os dedos. Se não tiver um pedaço de pau ou uma ferramenta, é melhor esperar até que o bicho esteja mortinho da silva.

Nos cações, um bom ponto para cravar o bicheiro é o "radiador", isto é, as aberturas branquiais que ficam nos lados , atráz da boca. Quanto às arraias, pescadores experientes recomendam bicheirá-las preferentemente por uma das asas, num ponto próximo ao corpo. O golpe do bicheiro deve ser dado num movimento rápido e firme de cravar e puxar, e não dando pancadas ou "enxadadas" no estilo arranca-minhoca, como é comum vermos novatos fazerem.

Quanto às geladeiras de isopor, vamos mencioná-las só para não omití-las, pois não há quem não as conheça. É interessante termos duas, pelo menos, de diferentes tamanhos, ambas com gelo: a menorzinha para conservarmos as iscas frescas, a maior para guardarmos os peixes pescados.

No estojo de material o pescador carrega anzóis, chumbadas,carretéis de linha, rabichos, giradores, alicates, tesouras, facas e outras coisas de que se utiliza. Para transportar anzóis empatados existem porta-anzóis à venda no comercio, mas modelos melhores e muitos práticospodem ser construídos em casa, bastando, para isso, que o pescador exercite sua criatividade inata. O que é inteiramente desaconselhável é carregar um monte de anzóis em latinhas, estojos metálicos, potes ou caixas, de mistura com giradores, grampos e outras miudezas, pois assim eles perderão a ponta no atrito com outras peças metálicas. Seria como se você colocasse os anzóis num liquidificador e batesse junto com outras pecinhas.

Numa praia rasa de mar aberto, onde se pesca habitualmente com água pela cintrura e pulando ondas, é interessante ter atadoao tronco (na cintura ou na altura do peito), um pota-iscas, para que, a cada vez em que se precise recolocar as iscas nos anzóis, não se tenha de voltar a praia. Um porta-iscas bastante prático e simples, muitousado pelos pescadores de arremesso, é um saquinho feito de tela de náilon, dotado de alças para ser pendurado ao ombro, a tiracolo. A tela, no caso, é para que o saquinho não se encha de água e as iscas, boiando a cada onda, saiam. Existem tanbém porta-iscas de plásticos com tampa para serem amarrados à cintura. E para poder apanhar iscas frescas no próprio local de pescaria, é recomendável ter4 no carrouma bomba de sucção e uma pazinha de jardineiro. A bomba, aliás, não serve apenas para arrancar "corruptos", pois é muito útil para abrir furos na areia para plantar firme o fincador, o guarda-sol, ets. A pazinha é útil para desenterrar cernambí e outros moluscos.

Talvez valha também mencionar aqui o apoio de vara do tipo talabarte, usado por alguns pescadores de barra-pesada como suporte de caniço, à maneira das portas-bandeiras dos desfiles cívicos e carnavalescos. O recurso é útil quando se pesca dentro da água, com água acima dos joelhos. O "copinho" de metal, couro ou plático em que é encaixado o pé da vara, na altura dos quadris, tanto pode estar fixado a uma correia a tiracolo quanto a um atado à cintura. Afinal, para que ficar horas e horas dentro da água, sustentando o pesado varejão na mão, se há expedientes simples e prática que poupam o pescador de canseiras desnecessárias, não é mesmo ?


Fonte: Noções Gerais de Pesca de Arremesso
Autor: Silvio Fukumoto