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NÓS PARA AMARRAR OU EMENDAR  

Tudo que é livro sobre pesca fala de nós, e nós não vamos ser exceções à regra, ainda mais quando nossa proposta é expor os assuntos elementares da pesca de arremesso. Assim como os escoteiros e os homens do mar aprendem a dar nos como um dos primeiros conhecimentos a assimilarem, também o pescador, que lida com linhas, fios, emendas e amarras deve aprender a dar nós, sempre presentes em sua atividade.

 O nó mais célebre referido na História deve ser o lendário nó górdio, que ninguém conseguia desatar porque era engenhoso, complicado e sem pontas visíveis. Vaticinava o oráculo local que quem conseguisse desfazer esse nó seria o senhor de todo o Oriente. Quando Alexandre, o Grande, à frente de seu exército, chegou à Frígia (parte da atual Turquia), teria sido apresentado a ele o indigitado nó que ninguém conseguira desamarrar. Ao examinar brevemente a peça, o grande conquistador macedônio não pensou duas vezes: desembainhou sua espada e de um só golpe cortou o nó. Como sempre, o oráculo estava certo: Alexandre foi senhor de todo o Oriente. dominando até além do império persa. 

Pois nó de pescador também deve ser assim: impossível de desatar ou afrouxar, sem ser complicado. Para desfazê-lo, só cortando. Um nó ruim pode soltar-se ou partir-se, resultando na perda do peixe ou do material.

 Embora os nós sejam um inconveniente, por formarem pontos fracos na linha, não há como evita-los num equipa- mento em que se usam segmentos de fios de bitolas diferentes, além de peças diversas que devem ser amarrados. Uma simples experiência poderá mostrar como um nó enfraquece a linha. Pegando um pedaço de linha de náilon monofilamento digamos, de 0,60 mm, com teste de cerca de 42 libras - , enrole as pontas nas mãos, para a linha não escorregar e puxe com força em sentidos opostos, inclusive dando trancos, tentando rompê-la. Se você for um pescador comum, e não uma montanha de músculos, dificilmente conseguirá rompê-la. Mas, se der uni nó cego no meio da linha e puxá-la como antes, ela se romperá ao primeiro tranco. E se romperá sempre no nó, que terá formado um ponto fraco. Para os do tipo muito forte, claro, a experiencia deverá ser feita com uma linha proporcionalmente mais grossa, e o resultado será o mesmo.

 

Se os nós são inevitáveis e eles constituem pontos fracos na linha, é preciso dar os nós mais apropriados para cada amarra ou emenda que se pretenda fazer. Os melhores nós são aqueles mais fáceis de dar e que ao mesmo tempo ficam firmes, com a menor perda possível de resistência da linha. Nós ruins são aqueles em que as voltas escorregam com o aperto, podendo soltar-se, ou aqueles que amassam a linha, comprimindo uma volta contra outra, como é o caso do nó cego.  

Segundo testes de resistência feitos com aparelhos, alguns tipos de nó chegam a reduzir a capacidade da -linha à metade. Se um pescador usar um nó desses, por exemplo, numa linha 0,40 mm, confiante de que a resistência de sua linha é de 18 libras, como declarado no carretel pelo fabricante, na verdade poderá estar usando um fio com resistência equivalente à de uma linha 0,30 mm, com 9 libras de teste. Ao perder um peixe grande, poderá culpar a linha e seu fabricante, quando a culpa poderá ter sido do nó impróprio.

Para colocar o arranque às pressas, principalmente durante a pesca, pode-se usar este nó de emenda, mais simples.   

Melhor será se, em vez do nó cego na linha mais grossa (arranque), se der um nó em forma de "8".

Nó para unir duas linhas monofilamento, conhecido bloot knot  pelos pescadores de língua inglesa.

Dois dos diversos tipos de nós para empatar anzóis de patinha.  

Eis um nó de cabresto muito simples: 1) dobrar a linha na porção da extremidade onde se quer fazer o cabresto; 2) passar o laço por duas vezes pela volta dupla, para reforçar o nó; 3) apertar o nó. aparando a sobra da linha. E Duas maneiras de amarrar a linha no carretel do molinete. Ao empatar um anzol de patinha, aperte o nó de forma que a linha fique do lado de dentro, para evitar que ela sofra atritos contra as bordas da patinha.

O nó de emenda da linha mestra ao arranque, além de ser um ponto preocupante, forma um caroço onde voltas do arranque esbarram na saída. No arremesso e no recolhimento, o caroço passa tropeçando nos passadores, mas o atrito é mínimo. Com peixe na ponta da linha, onde o caroço tropeça mesmo é na ponteira. Embora não represente maior inconveniente na prática, o nó (ou o caroço) pode ser substituído por uma emen- da, com o arranque colado à linha mestra com uma cola de náilon, feita de náilon picado e dissolvido em fenol (ácido fênico, líquido), em fogo brando. A cola, com a consistência e a cor do mel de abelha, funde as duas pontas de linhas como uma solda, e seca um poucas horas. Depois, é sõ aparar as pontas das linhas coladas, sem deixar rebarbas. Escusado recomendar os devidos cuidados com o fenol, que é corrosivo. Quanto ao náilon a dissolver na mistura, pode ser linha usada, mas de preferência incolor, ou seja, sem corantes. A mistura deverá ser bem feita, porque, havendo excesso de náilon em relação ao fenol, o caldo resultante ficará grosso e não colará bem. Se faltar náilon na mistura, a cola ficará fina demais e corrosiva, e dissolverá as linhas em vez de colá-las.

  A cola pode ser conservada num pequeno frasco de vidro (de remédio, por exemplo), tampado com uma rolha de cortiça. Com o tempo, fica avermelhada e encorpada, mas não perde suas propriedades.

 Para emendar duas linhas, é só prender as pontas das duas, esticadas, juntas e paralelas, e passar a cola no meio, de um lado e do outro, numa extensão de 2 a 3 cm. As duas pontas de linha podem ser mantidas esticadas, presas nos cortes feitos em duas rolhas de cortiça ou dois tarugos de borracha. As rolhas ou as peças de borracha devem estar fixadas num pedaço de sarrafo de madeira ou uma tabuinha, distanciadas uma da outra uns 10 cm. Um palito de dente ou um arame fino (a ponta aberta de um clipe serve) presta-se bem para passar a cola.  

Sempre que pescadores estranhos veem nossas linhas de arranque coladas, perguntam se a emenda não se solta ou não enfraquece a linha. A linha emendada, naturalmente, poderá romper-se - tanto quanto uma linha não-emendada -, mas não por causa da emenda, e também nunca se romperá na emenda, até porque nesse trecho há duas linhas.


Fonte: Noções Gerais de Pesca de Arremesso
Autor: Silvio Fukumoto